Sexta-feira, Fevereiro 21, 2014

Falta de atenção

Ontem lia-se, na página oficial de uma casa editora e livreira de peso em Portugal, que seria bom se ‘houvessem’ determinados objectos por aí. Alguns leitores repararam e comentaram; a administração da página assumiu o ‘lapso’ e corrigiu-o.

Hoje, a mesma página brinda-nos com um teaser àquilo que imagino ser, pela imagem que o acompanha, o lançamento de um policial ensopado em sangue. Nada a apontar à imagem. Mas sobre ela pende um “Tenham atenção, muita atenção!”, que me levou a questionar se estaria a dita casa editora e livreira de peso a abraçar uma nova técnica de marketing sorrateiro, destinada a premiar os leitores mais atentos aos pontapés na gramática. Se assim for, eu candidato-me.

Não se tem atenção. Tem-se atenções se se é atencioso, tem-se em atenção diversos factores importantes para uma equação e presta-se atenção se se está atento. Para obter o efeito de interjeição aqui procurado, escrevia-se apenas ‘Atenção, muita atenção!’ – ou então assumia-se a inspiração anglófona e optava-se pelo batido ‘Tenham medo, muito medo!’

“A palavra atenção é, sobretudo, usada em expressões mais ou menos fixas, como «chamar a atenção de alguém para alguma coisa; «ter em atenção algo»; «dar/tomar/prestar atenção a algo ou alguém». Pode ainda integrar locuções como «à atenção de», «em/com atenção a».” in Ciberdúvidas.com

Nesta linha, e para que o administrador da dita página não se sinta sozinho no barco, não resisto a reproduzir um título que não tem ponta por onde se lhe pegue. E lá está ele, publicado, há dois anos e meio:

“Cinco dicas a ter atenção antes de comprar um carro”

Bastava ali um ‘em’ entre ‘ter’ e ‘atenção’ para compor a coisa. Mas isto não é gralha nem esquecimento (nem desatenção). É desconhecimento.

Tinha eu ficado pasma com um anúncio, publicado no carga de trabalhos esta semana, a propor a contratação de um copywriter que soubesse escrever sem erros. Eles lá sabem…

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Segunda-feira, Fevereiro 17, 2014

A memória de Philane Dladla

Dladla

 

“… lembrei-me de A Memória de Shakespeare, aquele conto de Jorge Luís Borges que surgiu de um sonho que o escritor argentino teve num quarto de hotel de Michigan, quando viu um homem sem rosto que lhe oferecia nem a fama nem a glória – que teria sido trivial -, mas sim a memória do escritor, a memória da tarde em que ele escreveu o segundo acto de Hamlet.”

 in O Mal de Montano, de Enrique Villa-Matas

 

Lembrei-me, de facto, porque o que Philane Dladla faz é ganhar a vida a partilhar com os automobilistas que passam por ele as suas memórias da leitura de determinada obra, devidamente balizadas pelo seu juízo crítico. Se a recensão for apelativa, é provável que venda o livro.

Trata-se de um jovem sul-africano que decidiu abraçar a actividade livreira com um twist, após ter herdado uma significativa biblioteca da mãe. A imprensa chama-lhe ‘Imperador de livros’, num trocadilho com a morada onde podemos encontrá-lo: Empire Road, Braamfontein, Joanesburgo.

Há qualquer coisa nesta capacidade de criar algo de absolutamente original e único com recurso, apenas, à própria matéria cinzenta, que me enternece.

 

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Terça-feira, Fevereiro 11, 2014

Onde está a preposição?

O verbo gostar é transitivo indirecto. Bem sei que a frase anterior não é, propriamente, um chamariz de leitores. Talvez se eu usar a sigla…

Certo, recomeçando: o verbo gostar é um VTI. Ser um VTI é extremamente cansativo, nos tempos que correm. Eu dou já um exemplo prático, para ver se vos aguento por mais umas linhas.

Imaginem um VIP que exige ser acompanhado, permanentemente, por um segurança. Abre excepções nos casos em que precise de privacidade e ponto final. A exigência é clara, está grafada em contrato, o seu incumprimento traz consequências graves para a estabilidade emocional do dito VIP (e até, madeira, madeira, madeira, para a sua integridade física). E, no entanto, segurança, nem vê-lo. Abre-se uma brecha grave na relação contratual, certo?

Pois bem. Voltando ao verbo gostar, o VTI desta nossa história: acontece-lhe exigir ser acompanhado, permanentemente, pela preposição de. Abre (enfim, aprendeu a abrir) excepções nos casos em que exprime um pedido ou um plano e ponto final. A exigência é clara, está grafada em qualquer gramática, o seu incumprimento acarreta consequências graves para a estabilidade da língua portuguesa (lembro que, madeira, madeira, madeira, a preposição não foi eliminada pelo último acordo ortográfico). E, no entanto, preposição, nem vê-la. Agora, quem é que defende o nosso VTI?

Não são os cantores populares: Tony Carreira tem uma canção intitulada ‘O que eu gosto numa mulher’. Não são os publicitários: Pedro Pires assina um artigo na Marketeer intitulado ‘O que eu gosto no Superbowl’. Não são os jornalistas/editores das revistas femininas portuguesas: a ELLE de Fevereiro traz umas páginas com sugestões de presentes para o São Valentim e a inscrição ‘Ele conhece-me. Sabe o que eu gosto.”

Estes são apenas alguns exemplos que consegui reunir agora, entre pesquisas no Google e descobertas no Facebook. A publicidade é um dos grandes comedores da preposição de, o que me choca muito mais do que as falhas dos cantores populares, por exemplo. Havia há pouco tempo um anúncio na televisão a qualquer coisa muito conhecida que tinha uma garfada destas. E eu penso: livra, mas há tanta gente a passar os olhos nestas coisas, tanta gente tão qualificada, e não há ninguém que saiba (ainda que apenas intuitivamente) que está perante um VTI coxo?

Sabem de que é que eu gostava? De ver um dia a opinião pública e as manchetes inflamarem-se por causa da delapidação do nosso património linguístico, como se as preposições fossem quadros de Miró. Valem muito mais, mas estão a tornar-se, entre tantas outras jóias do português, perigosamente invisíveis.

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Sexta-feira, Fevereiro 7, 2014

‘E se a própria saudade nos inventa’

Vasco Graça Moura foi recentemente homenageado na Fundação Calouste Gulbenkian, tendo-lhe sido atribuída a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada. A primeira reacção cá em casa, quando assistíamos à notícia na televisão, foi: “Está doente!”

É uma pena que pensemos isto do nosso país (não é pena o acto de o pensarmos, é pena que o nosso país nos tenha ensinado a pensar isto dele). Não acreditamos em gestos puros.

Hoje lembrei-me desta canção maravilhosa em que Carminho homenageia, da forma mais bela, Vasco Graça Moura, cantando assim as suas palavras:

 

 

E ocorreu-me: se quisessem realmente homenagear Vasco Graça Moura, acabassem com essa trapalhada envergonhada a que se chama Acordo Ortográfico. Isso, sim. Aproveitar o pretexto e transformá-lo numa saída airosa. Eu prometo que não reivindico a autoria da ideia.

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Sexta-feira, Janeiro 31, 2014

Os votos de casamento da Marta e do Luís

Quando a Marta e o Luís anunciaram que iam, ao fim de 16 anos juntos, dar o nó, houve uma onda de entusiasmo a percorrer todos os que conhecem o casal, seja na sua esfera mais íntima ou em ambiente profissional. E estamos a falar de muita gente, já que eles são fotógrafos de casamento (de topo, acrescente-se) – através da marca Lounge Fotografia.

Foi tudo escolhido ao pormenor e o resultado é doce, delicado, atencioso e muito emocionante. O sítio é um deslumbramento, eu nunca lá estive mas já conheço quase de cor, por fotografias, a imponência do Hotel da Montanha, um retiro fabuloso no alto do Monte da Senhora da Confiança, em Pedrógão Pequeno.

Hoje publicámos no Simplesmente Branco as belíssimas fotografias deste dia, assinadas por Pedro Vilela e Vitor Duarte, o vídeo, captado por Henrique Cepeda e João Vieira, e uma entrevista onde os recém-casados partilham connosco algumas informações e emoções.

Não resisto a transcrever a parte que me toca, relativa aos votos, que a Marta e o Luís me incumbiram de costurar: “E a troca dos votos foi um momento muito bonito e especial, aconselho todos os noivos a fazerem o mesmo, pois é uma sensação única dizer o quanto se ama à pessoa com que estamos prestes a casar.”

Deixo-vos com o vídeo, que destaca, a par de tanta coisa bonita, alguns momentos da troca de votos:

Felicidades, Marta e Luís!

 

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Terça-feira, Janeiro 28, 2014

Concurso de desenho para miúdos

A ‘Dessine-moi un doudou’ e a Ineditar estão a preparar um livro delicioso com desenhos e doudous e instruções para cada um de nós conseguir transformar os rabiscos dos miúdos num amiguinho fofinho para abraçar.

Claro que eu não sei sequer pregar um botão, mas não se preocupem que o meu papel nisto tudo será a revisão dos textos do livro. Muito antes de chagarmos a essa fase, teremos que recolher muitos desenhos fantásticos para que a Raquel e a Inês seleccionem o material que integrará o livro. E é aqui que entram todos vocês.

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Imagem: Raquel Devillé

Está oficialmente aberto um concurso de desenho, de hoje até dia 28 de Fevereiro. Os artistas deverão ter entre 3 e 9 anos e as suas criações deverão ser auto-retratos.

Há três primeiros prémios e muitas coisas giras envolvidas para muitos dos que alinharem neste desafio. Saibam tudo no blogue da Raquel Devillé e participem (ou, enfim, encorajem os vossos artistas de palmo e meio a participar).

Ficamos à espera dessas obras-primas. Boas inspirações.

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Sexta-feira, Janeiro 24, 2014

Simplesmente Branco amanhã, em Lisboa

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E estamos de regresso à capital para o You+Us=Fun! de Lisboa.

É este sábado, dia 25 de Janeiro, que showcase do Simplesmente Branco se apresenta no Four Seasons Ritz Hotel, na Rua Rodrigo da Fonseca, 88. A entrada é livre, e estamos por lá entre as 14h e as 20h.

Para vos receber e conversar convosco, vão estar os fornecedores seleccionados SB  Adriana Morais, Aguiam Fotógrafas, Catarina Zimbarra, Como Branco, Coro Génesis, Design Events, Event Pleasures, Funtoche, In Love, Inspirarte, Jukebox, Kabuki Makeup, Leds4Dance, Magic Days, Molde Design Weddings, Monseo, Nelson Marques Photography, Pedro Taborda, Photography NN, Photo4Fun, Pinga Amor, R2Arte, Rui Barros DJ, T BakesThe Knot Wedding Photography, Zankyou e os nossos amabilíssimos anfitriões, Ritz Four Seasons.

Contamos convosco? Espreitem as edições anteriores e venham fazer-nos uma visita!

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Segunda-feira, Janeiro 13, 2014

Uma família de mulheres

É uma família que me é próxima. A Mariana é uma grande amiga, a sua prima, Francisca, tornou-se também numa das minhas pessoas preferidas de Coimbra, as suas filhotas, respectivamente, a Ana e a Carolina, são uma delícia, e ainda há as irmãs, a Joana e a Ina, com quem convivo muito menos mas que são igualmente 5 estrelas. Todas elas se juntaram nesta prenda para a Titá, mãe da Ina e da Kika, avó da Carolina, tia de todas as outras, ‘a única adulta da família’, como diz a Mariana, do alto dos seus trintas.

Depois de muitas histórias ouvidas, eu costurei o texto, a Mariana deu o seu toque especial e a Titá recebeu um presente emoldurado para nunca se esquecer de todas estas meninas-mulheres que a adoram do fundo dos seus corações.

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Foi um prazer enorme participar nesta homenagem.

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Quinta-feira, Janeiro 2, 2014

In the box

A Sílvia Pontes é uma artesã prodigiosa. Do seu atelier de encadernação personalizada saem verdadeiras obras de arte, completamente artesanais e com um bom gosto e uma qualidade verdadeiramente excepcionais. A Sílvia é, também, um doce, uma pessoa com quem sabe bem conversar horas a fio.

Há tempos convidou-me para meter o bedelho nalgumas das suas criações. Uma delas é esta:

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São ‘cartões de honra’ para os convidados do casamento deixarem as suas mensagens aos noivos. E os noivos também têm uma mensagem para os convidados: “Os nossos dias serão tão mais felizes quanto pudermos partilhá-los convosco.”

E vale a pena saber um pouco mais sobre o trabalho da Sílvia, a partir daqui.

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Terça-feira, Dezembro 31, 2013

Contratação para 2014

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Feliz 2014!

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